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COMIDA
TÍPICA SÃO
PAULO
em São Paulo o cuscuz-paulista, o pastel quente na feira
e também o virado a paulista.
COZINHA DE SÃO PAULO
Thabata Neder
Virado, cuscuz, moqueca indígena, afogado. A cozinha paulista
tem uma tradição iniciada nos primórdios da
colonização do Brasil, oferecendo uma grande variedade
de opções, oriundas, como tudo em São Paulo,
da mescla cultural dos diversos povos que construíram essa
terra de progresso e gente guerreira. 
Certamente o Estado mais importante do Brasil, São Paulo é considerado
o centro econômico e industrial de maior relevância em
toda a América do Sul. Situado na Região Sudeste, estabelece
fronteira com quatro Estados (MS, PR, MG e RJ) e forma um dos mais
expressivos aglomerados populacionais do País, sendo a Grande
São Paulo e o Interior do Estado, os maiores mercados consumidores
brasileiros.
Podemos dividir seu território em duas regiões naturais
distintas: o Litoral e o Planalto, que corresponde a mais de 90%
da área. Na Costa Atlântica encontramos temperaturas
médias (superiores a 22°C) e chuvas abundantes, já no
Planalto as temperaturas são mais baixas, provocando temporadas
de chuvas no verão e de secas no inverno. Da vegetação
do Estado Paulista, hoje, restam apenas 20% da formação
original. É dividida entre Mangue, Floresta Tropical e Mata
Atlântica - esta, não chega a 5% do que existia.
Bom, seja no litoral ou no planalto, tudo é praticamente
cidade. Conseqüências da urbanização acelerada,
um dos fatores que elevou o Estado em importância econômica,
política e social no País. Mas, nem sempre foi bem
assim. No início de sua colonização, São
Paulo de Piratininga não demonstrava que se tornaria São
Paulo...
Em 1532, Martin Afonso funda São Vicente, uma das vilas mais
antigas da Colônia, Pouco depois, os jesuítas escalam
a Serra do Mar, chegam ao Planalto de Piratininga e constroem um
colégio destinado à catequização dos índios
locais. As primeiras casas aparecem e, em 1560, São Paulo
de Piratininga deixa de ser um povoado e é reconhecida pela
Coroa como Vila, mas só em 1711 é elevada à categoria
de Cidade. Daqui até o final do século XVIII, o desenvolvimento
de São Paulo é bem pequeno. O fracasso do plantio da
cana (comparado ao Nordeste), a agricultura de subsistência,
a falta de mão-de-obra e as viagens de reconhecimento dos
bandeirantes ao interior do País, limitaram as finanças
locais. Daí, o café mudou a História. Foi com
café que os paulistas alimentaram a economia e São
Paulo passou a ter destaque nacional. Com a expansão cafeeira
vieram a urbanização, as estradas de ferro, o aumento
na oferta de trabalho e os imigrantes.
O fluxo imigratório ocorrido em São Paulo, diferentemente
do resto do Brasil, não teve características colonizadoras.
Primeiramente, no período de ocupação, apenas índios
nativos, jesuítas e poucos colonos portugueses habitavam terras
paulistas. Mais tarde, a chegada de escravos africanos completa a
mistura que originou parte da população inicial e marca
a identidade dos muitos cafuzos, mulatos e mamelucos que fazem parte
da cultura tradicional paulista ("caipira"), presente no
interior do Estado até hoje.
A urgência de mão-de-obra nas lavouras de café abriu
as portas para os imigrantes: espanhóis, poloneses, japoneses,
alemães, libaneses e vários outros chegam à chamada "Terra
das Oportunidades". Essa fusão de etnias, raças
e culturas aumenta com o processo migratório, mais acentuado
entre 1920 e o final dos anos 50. Milhares de pessoas, de todas as
partes do País, atraídas pelos mais diversos motivos,
contribuíram bastante com a miscigenação que
caracteriza o Estado e, principalmente, sua Capital.
Recheada com as mais variadas culturas, sotaques e tradições,
a gastronomia paulista agrega fatores diferenciados entre a capital,
o litoral e o interior. Claramente influenciada pelo mar, a culinária
caiçara abusa de elementos da cultura portuguesa (bolinhos,
caldeiradas, ensopados). No interior, encontra-se a tradição "caipira",
evidente nos costumes afro-indígenas misturados aos hábitos
portugueses e à culinária dos tropeiros - que, apesar
de ter praticamente desaparecido, ainda sobrevive em pratos típicos
como a mandioca frita, o arroz carreteiro e o feijão gordo.
Ainda no interior, próximo às divisas, surge influência
dos costumes culinários de outros Estados, como com o churrasco
e o chimarrão do Mato Grosso do Sul ou com o feijão
tropeiro de Minas Gerais. Alguns lugares chamam atenção,
como Barretos, que exalta a culinária típica dos tropeiros
numa das maiores festas de peão boiadeiro do País e
Campos do Jordão, cidade turística que é referência
gastronômica no Estado.
É na capital paulistana onde a gastronomia realmente toma
proporções mundiais. Toda a bagagem cultural que os
imigrantes trouxeram a São Paulo revela-se nos mais variados
sabores; burrito, macarrão, sushi ou feijoada, tudo num mesmo
quarteirão. Ah, fora o tempero brasileiro, que proporciona
uma verdadeira viagem aos quatro cantos do País: tem de tudo,
desde o arroz capixaba, moqueca baiana, costelinha de porco com canjica
até pato no tucupi do Belém do Pará ou frutas
exóticas do Amazonas. E, é claro, o tradicional sabor
paulistano - cuscuz, curau, arroz com feijão, picadinho, banana
frita, virado, pamonha... Tudo isso num lugar que oferece milhares
de restaurantes, especializados em comida típica ou não,
a qualquer hora do dia ou da noite.
Não é por acaso que São Paulo é Capital
Mundial da Gastronomia.
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