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Histórias
da Zona Leste
Rua da Mooca próximo à Rua Piratininga - 1913
Casamento do Sr. Vicenzo Montuori e Sra. Emilia Stella Montuori
Arquivo: família Montuori
A FUNDAÇÃO 
Pelo que se sabe, o dia 17 de agosto de 1556 é o marco do surgimento
da Mooca. Nesse tempo, ou seja, apenas 56 anos após o descobrimento
do Brasil, estas terras eram habitadas por índios, que se concentravam
perto de um extenso rio – Tameateí ou Tometeri, hoje Tamanduateí – e
se espalhavam pela região adentro, que era rodeada por
muitos riachos.
Já no livro “A Igreja na História de São
Paulo” a primeira referência ao bairro data de 1605, quando
o local ainda era conhecido como Arraial de Nicolau Barreto, onde Brás
Cubas construiu a capela de Santo Antônio, mais tarde transferida
para a praça Patriarca.
Segundo os historiadores, a região leste de São Paulo,
onde se situa o bairro da Mooca, deve ter sido o local da maior concentração
de índios de São Paulo e até do Brasil.O elemento
indígena foi tão forte por aqui, que deixou sua lembrança
até no nome do bairro: Mooca.
Acredita-se que esta palavra indígena tenha surgido no século
XVI, quando os primeiros habitantes brancos começaram a construir
suas casas. Os índios, curiosos com a novidade exclamavam “moo-oca” (moo
= faz , oca = casa) . Uma outra versão diz respeito a mesma
expressão, mas relacionada ao fato de os jesuítas mandarem
barro para seus colegas da região leste e estes ensinavam os índios
a fazer casa, ou como já vimos, “moo-oca”.Outra
hipótese a respeito da origem do nome Mooca, também se
relaciona a uma outra expressão indígena, muito parecida
com a outra versão: ”moo-oka” = ares secos,
enxutos
Essa versão é injustificável, pois, como já visto,
a região, de seca, não tinha nada.Visto que era cercada,
além do rio Tamanduateí, pelo riacho do Ipiranga, rio
Tatuapé, riacho da Mooca, Aricanduva e vários outros.
Ainda hoje, muitos nomes de ruas do bairro têm sua origem em
palavras indígenas: Javari, Taquari, Cassandoca, Itaqueri, Arariboia,
Guaimbé, Tabajaras, Camé, Juatindiba e outras.Aliás,
além do indígena, outro elemento foi importante
na origem do bairro da Mooca: o rio.
No início, esta região fazia parte das terras de João
Ramalho, que nem chegara a tomar posse e, segundo conta a história,
teria ajudado na catequisação e colonização
dos índios.
Em 1567, Brás Cubas recebe oficialmente do Capitão Mor
Jorge Ferreira a função de desbravar essas terras e fundar
o Belém, Tatuapé e a Penha.
Na região leste, logo se tomou conhecimento da tribo Guaianases,
do tronco tupi-guarani, que dominava o local.
Para aqui se chegar saía-se da Freguesia Eclesiástica
da Sé, descia-se a rua do Carmo, atingia-se a rua Tabatinguera
até atingir uma ponte de madeira denominada Tabatinguera ou
Ipiranga chegando-se a uma trilha que se estendia até a
Penha
Essa trilha feita pelos pés dos caminhantes – brancos
e índios, animais e rodas dos carros-de-boi - se transformou
no que é hoje a rua da Mooca.
O tempo se passou. Nos fins do império, durante a primitiva
República, a região possuía enormes casas, rodeadas
por belas chácaras.
Em 10 de agosto de 1867, a Câmara Municipal de São Paulo,
então chamada de Câmara Régia, começou a
doar terras para a formação de um povoado. Em 1869 já se
notava muitas casas pequenas e pobres e, assim, o povoado foi
crescendo.
O Jóquei Clube da Mooca
Poucos anos depois, ou seja, em 1876, um fato importante marcou
a história
do bairro: Rafael Paes de Barros, senhor de muitas terras na região,
que se estendiam até a Vila Prudente e Vila Alpina, criava o
Clube Paulista de Corridas de Cavalo, atual Jockey Club, cujas arquibancadas
comportavam 1200 pessoas, no sopé das chamadas colinas da Mooca,
no mesmo local onde hoje está instalada a Administração
Regional da Mooca.
Em conseqüência disto, um ano depois, para atender aos apaixonados
por turfe, se criou a linha de bonde Mooca-Centro, movida a tração
animal.
Estava formado um envolvente centro de lazer, logo freqüentado
pela alta sociedade do café, que vinha do Centro para apostar
grandes somas nas corridas de cavalo, inclusive onde a Marquesa de
Santos, já envelhecida, era uma das animadoras das corridas.Vale
ressaltar que a Mooca foi escolhida para a localização
do Turfe de São Paulo porque aqui era um ambiente de alta categoria,
considerado um bairro excelente para se morar. O “Prado” permaneceu
no local por 64 anos.
A Mooca já era, então, um bairro valorizado.Juntamente
com os largos São Francisco e São Bento, constituía
ponto de passagem de carros, puxados por animais.
Na época, este meio de transporte era uma inovação
e logo São Paulo começaria a se transformar com a chegada
da estrada de ferro Inglesa, com um ramal se estendendo pela rua dos
Trilhos até o Hipódromo. 
Um nova civilização surgia com os primeiros italianos
chegando a São Paulo para construir a civilização
do café. Em pouco tempo estava firmada a Sociedade Italiana
da Mooca. E mais imigrantes aqui vieram se instalar: espanhóis,
portugueses e na década de 30 os hungareses, como eram
chamados os imigrantes da Europa Central e Ocidental.
bairro foi aos poucos se formando; o local que era cheio de chácaras
e sítios logo passou a ser ocupado por fábricas e usinas,
além de casas de moradias para seus operários. Assim é que
entre 1883 e 1890 instalaram-se algumas fabricas de massa como Carolina
Gallo, Rosália Médio, Romanelli e outras.
Em 1891, o casal Antônio e Helena Zerrener fundaram a Cia.
Antarctica Paulista .
Vale ressaltar, também, que a Mooca teve uma grande importância
na economia de São Paulo, com a indústria têxtil
assim como de outros setores.
A pioneira foi a Indústria Rodolpho Crespi, depois vieram muitas
outras: Armazéns Matarazzo, Grandes Moinhos Gamba, Casa Vanordim,
Tecelagem Três Irmãos, Andrauss Cia Paulista de Louças
Esmaltadas, Fabrica de Tecidos Labor, Frigorífico Anglo, Máquinas
Piratininga, Aluminios Fulgor, Cia União dos Refinadores, etc.
Com isso a Mooca passou a ser considerada um bairro fabril. Hoje muito
poucas indústrias ainda se encontram em seu território.
Mas não só de trabalho viviam os moradores do bairro.
Em 1923 foram inaugurados o Cine Teatro Moderno, o Cine Santo Antônio,
em seguida o Cine Aliança, o Imperial, o Icaraí (mais
tarde Ouro Verde) e o Patriarca.
Outro lazer, aliás, prazer dos mooquenses, era o “footing”,
realizado aos sábados e domingos, entre a rua João Antônio
de Oliveira e avenida Paes de Barros, onde as moçoilas desfilavam
aos grupos, enquanto os rapazes sem namoradas ficavam apreciando e
esperando por algum olhar convidativo.Com essa farta oferta de lazer
e com um significativo número de boas lojas, o mooquense
dificilmente saia do bairro.
A Revolução de 1924
Decorria o ano de 1924. Oficiais do exército contrários
ao governo do então Presidente da República, o mineiro
Arthur Bernardes, deflagaram um movimento nacional que, em São
Paulo, resultou na derrubada do então presidente do Estado,
Carlos de Campos. O Governo Federal reagiu e acabou massacrando a população
da cidade.
A revolta demorou 23 dias e deixou como saldo 503 mortos e 4846
feridos, em sua grande maioria civis.
Preocupados com a amarga e, então, recente experiência
de Canudos, vila sertaneja que resistira de casebre em casebre a investida
do exército, os oficiais estavam convencidos de que só pelo
arrasamento inicial de grande parte da cidade, com a ação
conjunta de aviões e artilharia, seguida do ataque às
trincheiras pelos carros de assalto, completado pela baioneta, na luta
corpo a corpo, seria possível esmagar o levante paulista.
Os bairros da Mooca, Belenzinho e Braz foram os primeiros a sofrer
as conseqüências cruéis desse plano. Em desespero,
os moradores começaram a abandonar suas casas. As famílias
mais abastadas procuravam sair da cidade, com destino a Santos, Jundiaí,
Campinas e outras cidades. Muitos, não tendo onde se abrigar,
acampavam ao ar livre, armando barracas improvisadas em locais ermos
dos bairros.Desta forma, o dia 13 de julho desse ano foi particularmente
dramático para os paulistanos, especialmente para os moradores
da zona leste.
Os bairros da Mooca, Braz e Belenzinho foram atingidos por um
canhoneiro tão pesado que as ruas ficaram repletas de cadáveres.
Os coveiros não davam conta de cavar sepulturas para enterrar
todos os mortos, o que levou muitas famílias a enterrar
os mortos nos quintais de suas casas.
Em 23 de julho, nova tragédia. Dois aviões carregados
com bombas começaram a sobrevoar a cidade a elevada altitude,
para evitar a artilharia dos rebeldes e atacaram a Mooca. A terra tremeu
com as explosões, casas desabaram, muita gente morreu.
E logo se percebeu porque este bairro fora escolhido: não encontrando
muitos civis dispostos a se engajar na luta, os militares rebelados
procuraram imigrantes italianos, húngaros e alemães,
todos muito pobres, e lhes ofereceram 30 mil réis e a promessa
de 50 hectares de terra. Muitos não resistiram a mirabolante
proposta e se alistaram. Como a Mooca era reduto de trabalhadores
italianos, acabou castigada.
A Mooca Pós - Revolução
Estamos em 1925. A avenida Paes de Barros, a rua da Mooca, a
rua do Oratório e todas as suas transversais ainda não possuíam
calçamento. A primeira rua urbanizada foi a Conselheiro João
Alfredo.
Apesar de já existirem carros a motor, ainda eram muitos os
veículos a tração animal.
O próprio corpo de bombeiros e os carros de segurança
da Light moviam-se a tração animal.Mas, logo o bairro
da Mooca recebeu um prêmio: foi o segundo bairro a ganhar o bonde “camarão”.
Neste período, o avanço do transporte facilitou a formação
do Clube Crespi, do qual de originou o Clube Atlético
Juventus.
Na década de 30, São Paulo passou a ter um crescimento
maior e os bairros continuavam a acompanhar este ritmo. Nessa década,
a iluminação pública foi trocada pela eletricidade,
os últimos lampiões da Mooca estavam na subida da rua
da Mooca, na esquina da Marques de Valença e em direção
ao Parque da Mooca. Na década seguinte a Mooca era considerado
um bairro de elite, passando a Avenida Paes de Barros a receber famílias
abastadas que construíam suntuosas mansões, algumas
delas ainda hoje encontradas.
A Mooca de Hoje
Seguindo, todavia, tendência existente para as grandes avenidas
de São Paulo, a maioria dessas mansões cedeu espaço
para modernos edifícios, alguns deles sofisticados, ou transformadas
em estabelecimentos bancários e comerciais.Uma nova Mooca, porém,
se ergueu nos últimos anos, nas cercanias do clube social do
Juventus, com a construção de residências de alto
padrão.
Segundo especialistas do setor imobiliário, a Mooca vem passando
por um processo de transformação imobiliária.
As fábricas e indústrias de outrora cederam e continuam
cedendo espaços para novos e diversificados empreendimentos
imobiliários.
Assim, demonstrando toda essa característica contrastante, pode-se
encontrar ainda hoje muitos casarões antigos, com suas fachadas
em vários estilos, construídas pelos “maestri”(os
mestres construtores), adornadas de guirlandas e baixos relevos, objeto
de admiração e estudo de novos e surpresos arquitetos,
ao lado de modernas residências, assim como de estreitas ruas,
típicas de velhas cidades da Europa, ao lado de largas
avenidas.
Segundo pesquisa do “Jornal da Tarde” : “com seus
7 mil quilômetros quadrados de área, e uma população
de mais de 63.000 habitantes, é o bairro mais com a cara de
São Paulo, sendo que as suas características correspondem
exatamente à média da cidade”.
A Mooca atual é um bairro completo e autônomo, que conserva
suas características residenciais e familiares, sem abdicar
de uma infra-estrutura moderna. É quase que como uma cidade
do interior dentro da cidade grande.
Os tempos românticos, dos bondes e dos “footings” já se
foram, mas a Mooca continua e continuará sendo sempre
a mesma: um lugar alegre, acolhedor e apaixonante.
Fonte: www.portaldamooca.com.br
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